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Coluna Cá Entre Nós: Acho que me comportei médio
Por: Vera Lucas
Estou de aniversário. Ao contrário da maioria das pessoas, não faço um balanço da minha vida, nem promessas, no dia 31 de Dezembro. Prefiro a data de hoje. Então vamos lá. Começo sempre com os agradecimentos ao mundo celestial.
Tive coqueluche, crises alérgicas e fraturei o tornozelo. Obrigada por não ter contraído nada mais grave. Ah, e por poder pagar um plano particular de saúde enquanto milhões de brasileiros estão morrendo nos corredores dos hospitais públicos.
Depois de três livros acadêmicos, publiquei o meu primeiro romance. Agradeço, mais uma vez, por ter conseguido essa façanha em um país ainda com tantos analfabetos, crianças que andam quilômetros para chegarem às escolas e professores ganhando mal.
Obrigada também por não ter sido vítima de bala perdida, de sequestro relâmpago, de assalto, de extorsão, de acidente automobilístico, de golpe disso, de golpe daquilo. Coisa rara no Brasil já que muitos que tinham que dar o exemplo e garantir a segurança, não o fazem.
Agora, o aprendizado. Sou livre para tomar qualquer atitude, mas preciso estar preparada para arcar com as consequências. Às vezes vale a pena, outras não. Sempre devo olhar para o dinheiro e deixar bem claro quem mandaem quem. Aspessoas têm o direito de não me quererem por perto, mesmo que eu não entenda o motivo. É duro, mas não tem jeito. O melhor conselheiro, quando se está de cabeça quente, é o travesseiro. Da mesma forma que não devo pisar em quem quer que seja, não devo deixar pisaremem mim. Nãoé porque eu tenho boa intenção, que encontrarei reciprocidade no outro. Olho vivo! Ninguém muda ninguém, é aceitar ou mandar passear. Querer transformar os problemáticos é uma fria. Preciso ouvir sempre a minha intuição, ela é mais cuidadosa do que eu. Quando não a escutei, quebrei a cara.
As descobertas. Pessoas que eu pensava serem amigas, demonstraram que não eram. Ótimo, deixei de me enganar. Outras que eu nem imaginava gostarem de mim, estenderam a mão na hora certa. Ao longo da minha vida, praticamente não fiz desafetos. Tive consciência disso ao resgatar gente maravilhosa do meu passado. Não, não é possível conhecer alguém hoje e ele se tornar imediatamente um amigo de infância ou o grande amor da minha vida. No início, tudo são flores… Todo o zelo é pouco quando você troca confidências porque existe o risco do outro não ser discreto. Uma certa preservação nunca é demais.
As besteiras. Magoei quem não merecia, nem sempre pedi desculpas, mexi em um passado que era para ficar quieto e estive pouco com aqueles que amo.
Boas atitudes? Apenas ouvi quando não pediram a minha opinião – por mais que eu quisesse palpitar – e ajudei quando foi possível. Poucas, né? Necessito melhorar.
Ai, as promessas… Não diminuí a quantidade de chocolate, não entrei para a academia, não realizei nenhum trabalho voluntário, continuei querendo tudo para ontem e chorei por quem não merecia. Mas voltei a andar de bicicleta, doei todos os sapatos e roupas que eu não usava mais, disse não quando tive vontade e soube armar um barraco quando necessário.
É isso. Não fui tão bem, nem tão mal…
Quais as promessas para essa nova idade? Quantos anos estou fazendo? Não conto nem sob tortura!
Beijo.
Vera Lucas
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